Festa de Nossa Senhora da Conceição: Como iniciou em Caruaru?

Você sabe como iniciou a Festa da Imaculada Conceição na nossa terrinha?

Comemorada em 8 de dezembro, foi inscrita no calendário litúrgico pelo Papa Sisto IV, em 28 de fevereiro de 1477. Atualmente, a solenidade da Imaculada Conceição de Maria é festa de guarda em toda a Igreja Católica, exceto em certas dioceses ou países onde, com a prévia aprovação da Santa Sé, a sua celebração foi suprimida ou transferida para um domingo. Festa de guarda significa que todos os fiéis católicos devem obrigatoriamente participar na missa, como se fosse um domingo.




Em Caruaru, o começo desta história festiva se deu inicio numa fazenda que se localizava onde hoje é o centro comercial de Caruaru. Neste lugar, próximo ao rio Ipojuca, acontecia a Festa de Zé Rodrigues: José Rodrigues de Jesus era o fundador da fazenda, ele e a esposa, Maria do Rosário, mandaram construir uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição (juntamente com Santo Antônio, São Sebastião e São José, esta é uma das homenagens mais frequentes). Desde os primeiros momentos havia, nesta fazenda, a celebração da Imaculada Conceição. E, como de se esperar, estas comemorações envolviam festividades dentro e fora da capela: seria o que chamamos de festa sagrada e profana.

José Rodrigues de Jesus morreu no início da terceira década do século 19, mas a festa da Mãe de Deus continuou e deve ter recebido um grande impulso quando, na metade deste século, houve a proclamação do “Dogma da Imaculada Conceição”. Caruaru ainda nem era cidade, mas, com certeza, recebia diversas informações vindas da capital e esta seria uma delas. A festa, por estas épocas, recebia animação externa por parte de bandas de pífanos. Missa, casamento, procissão, novena, tudo era por conta dessas bandinhas.




Já no século XX, a festividade continuou ganhando volume, passou a ser financiada pelos comerciantes do centro da cidade, como é comum em festas de padroeiros, e em 1933 o Jornal Vanguarda a denominou de Festa do Comércio. Nesta época, a Festa do Comércio correspondia à parte externa da festa religiosa de Nossa Senhora da Conceição, mas, com a chegada de dom Paulo Hipólito, primeiro bispo de Caruaru, a festa sofreu certa polêmica: o bispo queria a realização da festa religiosa na data correta, 8 de dezembro, e os comerciantes queriam a festa profana na data tradicional: última semana do referido mês. A partir de então, as duas festas foram sendo, gradativamente, separadas.

No imaginário popular, a Festa do Comércio, Festa de Ano ou Festa de Fim de Ano ainda possuía um apelo marcadamente religioso, posto que o local da celebração sempre era próximo da Capela da Conceição: visitar o presépio, ir à Missa do Galo e fazer orações era roteiro certo junto com o “footing” (“quem me quer”), o flerte, o parquinho, as comidas, os jogos, a roupa e os sapatos novos etc. Toda a população de uma região esperava, ansiosamente, por esta festa.




Mas a Festa do Comércio sucumbiu diante das novas relações socioculturais da cidade: novas sociabilidades, novas formas de celebração, novos roteiros, falta de incentivos por parte dos patrocinadores: a festa era de todos, mas já não se tomava a sua coordenação como outrora. A Festa do Comércio foi decaindo, decaindo e… desapareceu. Restou a Festa da Nossa Senhora da Conceição.

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Fonte: Jornal Vanguarda

Ceça Ricarte

Ceça Ricarte - Jornalista de formação, com mais de 15 anos de experiência, nas mais diversas áreas que o Jornalismo se propõe. Natural de Recife, mas que escolheu Caruaru para amar e viver! Entre idas e vindas, está fixa na Capital do Forró há 12 anos.

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