Polícia prende 3 e fecha laboratório clandestino que só dava laudo negativo de teste de Covid e guardava amostras junto com margarina

Um laboratório clandestino foi interditado por realizar testes de Covid de forma ilegal, em Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Dois proprietários e uma falsa técnica de enfermagem foram presos. Segundo a polícia, todos os exames davam negativo. O material coletado era guardado em uma geladeira comum, ao lado de comida, como um pote de margarina aberto.

A ação foi realizada, na quinta (24), por agentes da Delegacia de Crimes contra o Consumidor e Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa). Nesta sexta (25), os detalhes da interdição e das prisões foram repassados em entrevista coletiva concedida no Recife.

De acordo com a polícia, os proprietários do laboratório foram autuados em flagrante por crimes contra as relações de consumo e podem pegar até cinco anos de prisão. Cada exame custava R$ 200.


A mulher não tinha registro no conselho de enfermagem e responderá também por exercício ilegal da profissão. Os presos, não identificados pela polícia, tinham entre 24 e 45 anos de idade.

A investigação começou quando um grupo procurou a polícia para denunciar o laboratório por desconfiar da qualidade dos testes. Essas pessoas, com exames do tipo RT-PCR negativo, foram até Fernando de Noronha e não puderam entrar na ilha.

As apurações apontam indícios de que o estabelecimento realizava teste rápido de antígeno para COVID 19, porém emitia laudos atestando o exame de RT PCR.


Além disso, o laboratório não apresentou as documentações necessárias nem demonstrou a prática dos cuidados básicos de biossegurança.

A polícia disse, ainda, que o estabelecimento não adotava controle de qualidade, garantia da qualidade e rastreabilidade das amostras coletadas e exames realizados.

“A pintura da fachada mostrava que o laboratório funcionava como centro de análises clínicas. Os proprietários e essa mulher que se apresentou como técnica de enfermagem informaram que realizavam testes RT-PCR”, disse a delegada Lídia Barci.


Segundo ela, aos serem questionados sobre como eram feitos os testes, os donos e a mulher apresentaram kits para a realização de testes rápidos de antígeno.

“Informaram que as pessoas faziam os testes e que os resultados saíam em até 50 minutos”, comentou.

Barci disse, ainda, que, diante do material apresentado, voltou a questionar se não haveria engano e se o laboratório não estava realizando testes rápidos.





Foram impressos alguns laudos com nomes de algumas pessoas e o teste RT-PCR, todos negativos. Mais uma vez, disseram que era esse teste que era feito lá e com laudo de RT-PCR negativo”, acrescentou.

Diante de todos os problemas, a delegada afirmou que ficaram configurados os crimes contra a relação de consumo, enganação ao consumidor.

“O estabelecimento se apresentou como laboratório, mas na verdade seria um ponto de coleta de amostras. O problema principal foi realizar um teste rápido e dizer ser um teste RT-PCR que é um teste muito maior complexidade”, justificou a policial.


Por fim, Lídia Barci informou que, após pressionar os donos para obter as informações, foi dito que no laboratório que eram feitos apenas testes rápidos e que a amostras seriam enviadas para o a Secretaria de Saúde ou para outro estabelecimento “parceiro”.

Segundo ela, aos serem questionados sobre como eram feitos os testes, os donos e a mulher apresentaram kits para a realização de testes rápidos de antígeno.

“Informaram que as pessoas faziam os testes e que os resultados saíam em até 50 minutos”, comentou.

Barci disse, ainda, que, diante do material apresentado, voltou a questionar se não haveria engano e se o laboratório não estava realizando testes rápidos.


“Foram impressos alguns laudos com nomes de algumas pessoas e o teste RT-PCR, todos negativos. Mais uma vez, disseram que era esse teste que era feito lá e com laudo de RT-PCR negativo”, acrescentou.

Diante de todos os problemas, a delegada afirmou que ficaram configurados os crimes contra a relação de consumo, enganação ao consumidor.

“O estabelecimento de apresentou como laboratório, mas na verdade seria um ponto de coleta de amostras. O problema principal foi realizar um teste rápido e dizer ser um teste RT-PCR que é um teste muito maior complexidade”, justificou a policial.


“Nós pedimos emissão de um laudo de teste rápido de antígeno, pelo menos um, e não nos mostraram nenhum. Nós pedimos também a rastreabilidade de uma amostra que tivesse sido mandada para esse laboratório parceiro e que tivesse voltado com o resultado ainda que negativo e também não nos foi mostrado”, acrescentou.

Na entrevista coletiva, a delegada afirmou que as condições de biossegurança do laboratório “eram péssimas”.

“Ao abrir a geladeira, nós encontramos água, junto com um saquinho plástico com as amostras que haviam sido coletadas para o exame de Covid 19, juntamente com uma margarina que estava aberta”, declarou.

Para a delegada, a grande quantidade de testes negativos levantou suspeita. “Temos fortes razões para acreditar que os exames estavam sendo falsificados”, disse.



O laboratório clandestino interditado fica na área central do bairro de Prazeres. De acordo com a polícia, o estabelecimento pode ser considerado de pequeno porte. Mesmo assim a delegada afirmou que o fluxo de ´pessoas “era considerável”.

“No momento em que nós estávamos na abordagem, três pessoas chegaram lá pedindo a realização de exames”, observou.

Outro fato que chamou a atenção foi a emissão de laudos em língua estrangeira. “Está na propaganda que eles fornecem laudos em inglês. Nós encontramos um laudo de uma pessoa com um nome que aprecia inclusive árabe, emitido em inglês”, afirmou.

A delegada disse que a meta, agora, é manter as investigações para identificar a origem dos testes se existe ou não convenio com outro laboratório.



Por G1 Pernambuco.

 

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