Bolsonaro muda tom, pede ajuda e promete neutralidade climática até 2050

Em uma completa mudança de discurso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje, durante a Cúpula dos Líderes sobre o Clima, que o Brasil está aberto à “cooperação internacional” na área ambiental e declarou que o país buscará atingir a neutralidade climática (reduzir a zero o balanço das emissões de carbono) até 2050.

“Coincidimos, senhor presidente [em referência ao chefe de Estado americano e anfitrião da videoconferência, Joe Biden], com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos. Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050. Antecipando em 10 anos a sinalização anterior”.




A meta até 2050 é a mesma fixada pelos Estados Unidos e pelos grandes países europeus em relação às ações para zerar o balanço das emissões de CO².

O tom moderado contrasta com o histórico de atritos que Bolsonaro acumulou nos últimos dois anos em relação a temas como a preservação da Amazônia, combate a ilícitos ambientais e perspectivas sobre o clima.




A atitude reforça a tese, defendida nos bastidores do Planalto e do Itamaraty, de que o governo quer dar uma guinada de 180 graus para melhorar as relações com a comunidade internacional. Isso ocorre na esteira de crises e reveses para o presidente brasileiro —como a derrota do aliado Donald Trump nos EUA, o desgaste na relação com a China e os impactos da pandemia da covid-19.

Bolsonaro não fez referências aos atuais recordes de desmatamento registrados na Amazônia, mas disse que pretende acabar com a exploração ilegal até 2030. Mentiu, entretanto, sobre recursos para fiscalização, área que tem sofrido reiteradas mudanças e enfraquecimento de sua estrutura.




“Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”, completou.

O presidente também abdicou das ideias de “soberania” e “controle da Amazônia”, tal como vinha defendendo até hoje desde que assumiu a Presidência, e convidou a comunidade internacional a colaborar com injeção direta de recursos e investimentos em ações de preservação ambiental da floresta.




“Estamos, reitero, abertos à cooperação internacional.”.

Pouco antes de Bolsonaro ser chamado a falar na Cúpula de Líderes, Biden havia se retirado momentaneamente por conta de um compromisso. Portanto, é possível que o chefe de estado norte-americano não tenha acompanhado as palavras do governante brasileiro. As imagens do evento não mostraram se Biden retornou a tempo de Bolsonaro discursar.




No total, a videoconferência reúne 40 dirigentes, entre os quais o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin.

Via Uol

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