Música tradicional “A Feira de Caruaru” completa 65 anos. Será que ainda há de tudo na feira?

Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro há 16 anos, a Feira de Caruaru é nacionalmente conhecida por ter de “tudo que há no mundo” para vender. E tal fama não veio por acaso para um dos maiores símbolos identitários do município: há 65 anos, em 21 de março de 1957, Luiz Gonzaga gravou “A Feira de Caruaru”, música escrita pelo cantor e compositor caruaruense Onildo Almeida.

“Quando eu digo que na feira tem de tudo, é porque você vai encontrar coisas que não é de vender em feira, mas tem na feira. Houve uma época em que até automóvel essa feira vendia. Agora a feira tá mais bonita, cheia de planta, bancos para expor a mercadoria, de maneira que fica decorativa”, ressaltou Onildo.

Mas será que ainda há de tudo na feira? De acordo com José Urbano, a resposta é sim. Todos os itens citados por Onildo ainda são vendidos na feira. “São 55 itens que tem na música e dois que foram acrescentados por Luiz Gonzaga. Com o passar dos anos, surgiu a feira de eletrônicos, o espaço foi se expandindo”, destacou o historiador.



Tem massa de mandioca, batata assada, tem ovo cru

O primeiro item citado por Onildo Almeida na música segue com destaque na feira. A massa de mandioca é vendida, entre tantos outros, pela feirante Rosinete Claudino. “São mais de 30 anos de feira. As pessoas sempre passam cantarolando por aqui, elas sabem que a massa de mandioca tem a ver com a música”, disse.

Banana, laranja, manga, batata, doce, queijo e caju

A área de frutas e verduras segue a todo vapor na Feira de Caruaru. Além dos itens citados acima, ainda tem “cenoura e jabuticaba”, como destacou Onildo. “Eu trabalho há mais de 30 anos na feira e ela fica bonita quando está cheia, movimentada”, afirmou a vendedora de frutas Maria Cleonice da Conceição.

Tem cesto, balaio, corda, tamanco, gréia, tem cuêi-tatu

Na tradicional Feira de Artesanato ainda podem ser encontrados os itens acima, assim como a “mubia de tamburête feita do tronco do mulungú”.


Tem carça de arvorada, que é pra matuto não andá nú

Não somente a “carça de arvorada” como também as mais diversas peças de roupa podem ser encontradas na Feira da Sulanca, uma das feiras que constituem a Feira de Caruaru. A cada fim de ano, entre os meses de novembro de dezembro, o local recebe cerca de 80 mil pessoas por feira, movimentando milhões de reais.

Bunecos de Vitalino, que são cunhecidos inté no Sul

Um dos maiores mestres da arte do barro de Caruaru, Mestre Vitalino, que morreu há 59 anos, ainda está presente na feira. Os descendentes dele, netos e bisnetos seguem propagando a arte e produzindo os famosos “bonecos de Vitalino”.

Para Daniel Silva, a música “é uma composição que marca um território muito significativo, o território das feiras. A gente ainda hoje tem muito mais feiras que shoppings. Naquela época, nem supermercados existiam, só tínhamos feiras, mercearias, vendas, empórios… Falar da feira e narrar da forma que aconteceu foi muito significativo”.

Por G1 Caruaru

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